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Eduardo Aratangy

Supervisor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, formado em Medicina pela USP.

Sabia que as crianças podem ser o melhor veículo para conscientizar a família sobre a prevenção de doenças e os hábitos da casa? Poucas coisas são tão prazerosas para uma criança, que chamar a atenção dos adultos e ser ouvida contando uma descoberta. Foi pensando nessa característica tão natural na infância, que instituições ligadas à saúde estão focadas em informar crianças e adolescentes para disseminarem conceitos básicos de estilo de vida saudável, precaução e diagnóstico precoce. A meninada tem o poder de ajudar a mudar hábitos da família e dos vizinhos.

O documento oficial do Rio + 20, reunião global sobre desenvolvimento sustentável que ocorreu neste ano, no Rio de Janeiro, ressalta a necessidade de educar os mais jovens. Para colocar essa lição em prática, o Instituto Akatu, organização especializada em consumo consciente, lançou o Edukatu – uma plataforma virtual que disponibiliza games e atividades para alunos e professores tratarem do tema dentro e fora da sala de aula. Reciclagem e aproveitamento de alimentos fazem parte do programa.

Em outros países, investir nas crianças já é uma estratégia comum. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) vem tendo êxito na redução de algumas taxas de diarreia na infância com aulas de higiene para os pequenos de países como a Índia. Na Austrália, o San Smart é um programa que, desde os anos 1980, atua junto a crianças em idade escolar para divulgar os cuidados com o sol. Ao longo de 30 anos, o projeto estima ter prevenido mais de 100 mil casos de câncer de pele.

“Hoje as crianças são multiplicadores do conhecimento. Além de terem acesso à informação com mais rapidez, elas propagam e lutam pelos valores em que acreditam. Veja o exemplo das crianças que tem pais fumantes e que costumam ser as principais incentivadoras da interrupção do tabagismo. O mesmo vale para os cuidados com o ambiente e práticas preventivas de saúde”, explica o Dr. Eduardo Aratangy – médico do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Quando o assunto é tabagismo, o poder de persuasão das crianças parece crescer, relata o Dr. Aratangy. Negar pedidos de uma criança é daquelas tarefas que mais apertam o coração dos pais, principalmente quando o filho está cheio de razão. Pneumologistas afirmam que atendem inúmeros pacientes no processo de largar o cigarro e que boa parte tem como argumento principal o pedido dos filhos.

Comer direito, respeitando as regras básicas de nutrição, é premissa para uma vida saudável e arma crucial no combate à obesidade, que cresce de maneira alarmante. A criança como agente transformador pode aparecer na hora de montar um prato equilibrado. Mas, nesse caso, é difícil que munida apenas de informação ela, sozinha, consiga grandes mudanças. Quando se abre mão da dieta saudável em casa ou na escola, o pequeno não modifica os seus hábitos à mesa. Segundo a psicóloga Joana Novaes, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, “além de português, matemática e geografia, seria importante incorporar a educação alimentar na grade curricular. Disponibilizar merendas e cantinas nutritivas também é uma estratégia. O apoio da escola é essencial.”.

Outro exemplo é dado pelo Hospital de Câncer de Barretos, no interior paulista, que criou o Núcleo de Educação em Câncer (NEC), que conta com o projeto Crianças como Parceiras. Assim como o Se Toque, a iniciativa busca disseminar na escola e para a família informações relacionadas à prevenção e detecção de vários tipos de câncer. O NEC fornece materiais aos colégios e promove uma feira de ciências, focada no câncer, no final do ano letivo. Trabalho lúdico e de utilidade pública, que extravasa a sala de aula e pode render maior índice de cura para a comunidade.

Quando uma criança está motivada, ela compra a causa e a leva até os pais, insistindo em quanto eles devem se proteger. Então, é preciso estar equipado com feira de ciências, gibis, peças de teatro e uma linguagem apropriada para atrair a criançada e manter o interesse em alta. Se não houver algum tipo de novidade, nada feito. As atividades precisam ser divertidas e, ao mesmo tempo, servir como um sinônimo de vida melhor para elas e a família.

O Dr. Eduardo conta que ao longo dos anos viu muitas crianças que cuidavam dos pais. “O simples fato de um pai ser responsável por outra vida já pode torná-lo mais cuidadoso e saudável. Em muitas situações são os filhos que convencem os pais a parar de fumar, fazer uma atividade física, se alimentar corretamente ou parar de beber. Há casos em que são os filhos pequenos que controlam o uso correto da medicação pelos pais e este cuidado acaba motivando os pais a aderirem ao tratamento. Independente dos argumentos científicos e médicos que a criança possa trazer, o que a torna tão poderosa na mudança de hábitos dos pais é o amor”, finaliza o profissional.


Fonte: Angélica em Revista – edição 15

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